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Os Yanomami representam uma das etnias que mais recentemente manteve contato com a sociedade envolvente. Os primeiros contatos foram estabelecidos em 1955.O povo Yanomami habita a região da fronteira Brasil/Venezuela. Conta-se no território da Venezuela cerca de 14 mil pessoas e mais de 12 mil no território brasileiro. Destas, 5 mil moram na região do Médio Rio Negro, estado do Amazonas. Este povo semi-nômade possui uma língua e cultura própria. Os meios de subsistência são extraídos da floresta e do rio: caça, pesca e agricultura de subsistência, além da coleta de frutas.A população Yanomami da região de atuação da Secoya é atualmente de 2342 pessoas.Os Yanomami representam uma pequena família lingüística composta de 04 línguas próximas que não pertencem a nenhum tronco lingüístico indígena da América do Sul, sendo considerada totalmente isolada. As quatro línguas são (referência lingüística de Henrique Ramirez):

  • Língua Sanomã (Roraima Ocidental);
  • Língua Yanomami (Yanomami / Oriental e Xamatari / Ocidental);
  • Língua Ninan (Mucajaí);
  • Língua Ajarani (afluente do rio Branco).

O contato Demini

No rio Demini, os primeiros contatos foram realizados pela Comissão de Limite encarregada pela demarcação. O governo mandou esta Comissão a fim de identificar as fronteiras com a Venezuela, no ano de 1945. Estes contatos foram conflituosos, causando inclusive, óbitos. Foi então estabelecido um posto do Serviço de Proteção aos índios-SPI (1950) em Ajuricaba, para tentar estabilizar a situação.Este período de conflitos terminou nos anos 60. Na década de 70, com a criação da FUNAI, continuou-se mantendo presença no posto. A frente de atração possibilitou o assentamento de várias famílias Tucano, que estabeleceram relações matrimoniais com Yanomami. Os Tucano e representantes de outras etnias (Sateré-Mawê) casaram com Yanomami e se adaptaram a vida e a língua Yanomami.O posto da FUNAI ficou fechado durante sete anos, reabrindo em 1987, com a presença de um auxiliar de enfermagem. Aquela região nunca foi invadida por garimpeiros ou fazendeiros. Na região há 1 aldeia com 2 moradas coletivas, sendo a população total de 119 habitantes. A região do Demini é rica em caça e pesca. Os Yanomami que habitam o xapono de Ajuricaba dispõem sempre de muita comida. A viagem de Barcelos até a aldeia Ajuricaba pode demorar até 5 dias (na época de vazante).

O contato Marauiá

No rio Marauiá, os Yanomami se deslocaram da Venezuela para este rio nos anos 40. Na época, as beiras do rio eram habitadas pela população regional. O contato foi violento e os Yanomami continuaram descendo até enfrentarem a população do Rio Negro. A resposta foi fulminante e obrigou os Yanomami a retroceder. Estabeleceram-se no lugar chamado Xamatá. Em seguida, chegaram os missionários Salesianos que construíram uma primeira missão no fim dos anos 60. No ano 1989, a FUNAI instalou uma base no local chamado Apuí.Hoje na região do rio Marauiá, contamos com 8 comunidades: Bicho Açu, Ixima, Pukima. Ra i ta, Kona, Yapahana, Pohoroa e Xamatá. Sua população total é de 1393 habitantes.A região do Marauiá é escassa para caça e pesca.

Os Yanomami, apesar de terem vivido momentos difíceis entre os anos de 2000 e 2002, devido a problemas ambientais provocados na época pelo fenômeno “el nino” e a extração intensiva de cipó que interferiu no ciclo de plantio das roças tradicionais, sendo que hoje estão conseguindo novamente um equilíbrio. As famílias foram estimuladas a plantar novas roças de banana, macaxeira, batata, milho, etc. e iniciar o plantio de novas espécies adquiridas da sociedade envolvente.Além disso, os Yanomami estão plantando outras espécies nativas normalmente coletadas da floresta, mas encontradas somente muito distante dos xaponos.Dentre as comunidades da região do rio Marauiá, Kona é a aldeia de menor contato com a sociedade envolvente, o que justifica a preservação maior de seus ritos e costumes. Localizada na cabeceira do rio Marauiá, Kona é a aldeia mais distante de Santa Isabel. Bicho Açu, o oposto de Kona, é a aldeia de maior contato com a sociedade envolvente, portanto, com maiores problemas de interferências em sua cultura e costumes.Esta região é de acesso extremamente difícil. As viagens são realizadas com voadeira (motor de popa 40 HP. ou 15 HP.) sendo que de Sta. Isabel até a aldeia mais distante na área do rio Marauiá (160km. em linha reta), podem demorar até 6 dias em época de verão e em média 02 dias em época de inverno, superando obstáculos difíceis como as numerosas cachoeiras, praias e pedras. O único meio de comunicação se dá via radiofonia entre as sedes da Secoya (Manaus, Santa Isabel e Barcelos), a representação regional da FUNAI e os diversos xaponos (Aldeias), localizados nas regiões do rio Marauiá, Demini, Aracá e Padauiri.

O contato Padauiri

O povoamento da região do Padauiri pelos Yanomami, aconteceu a partir de dois movimentos migratórios provocados por intensos conflitos entre grupos Venezuelanos. O primeiro fluxo migratório ocorreu entre 1910 e 1920, com a ocupação das cabeceiras dos rios Marari e Ariapó (Amarokumapiwei). De lá, guerreando, foram se dispersando em duas direções. De um lado ocuparam o rio Aracá e de outro, o Marauiá, seguindo daí em direção ao Cauaburis. Uma parte deles permaneceu no rio Marari. Segundo as informações disponíveis hoje, um dos primeiros contatos com seringueiros deu-se na Cachoeira da Aliança, rio Padauiri, de onde foram expulsos em direção ao rio Cauaburis.

O segundo fluxo migratório se deu entre 1950 e 1960, a partir de um local na Venezuela, próximo a uma serra conhecida como Aramamisi. Os grupos denominados Apruweiteri, Okawayopeteri, Sihetipeteri e Pixapiasiweteri se fixaram, respectivamente, nos rios Marari, Castanho, Padauiri e na região do Demini.

Na região do rio Padauiri há 7 aldeias denominadas: Waharu, Kata-Kata, Xihõ, Hoaxi, Pahana, Rahaka e Castanha do Marari, totalizando uma população de 761 habitantes.
A região do Padauiri é muito rica em caça e pesca. Além disso, os Yanomami têm grandes roças de banana e macaxeira.

A região mantém-se sem muitas interferências. De todas as regiões que são assistidas pela Secoya, Padauiri, é a de menos contato com a sociedade envolvente, portanto, a de menos interferências culturais. Nesta região cerca de 99% da população falam apenas a Língua Materna.

O contato Aracá

Os Yanomami da Cachoeira do Aracá formam um pequeno grupo oriundo da serra do Aracá, onde eram atendidos pela Missão Novas Tribos do Brasil-MNTB. Esporadicamente estes Yanomami desciam até o posto da FUNAI para estabelecer relações comerciais. Há dois anos, instalaram-se definitivamente neste local, contando com uma população de 68 pessoas.

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